Médicos Farmácias e teorias

Eu adoro ir ao médico. Voçês não?
Não, não é pelos medicamentos, como alguns de voçês estão a pensar neste momento … drogados.
É toda aquela mística que envolve uma ida ao médico.
Com a saude debilitada e sem grande paciencia, entramos no edifício do hospital ou posto médico e deparamo-nos com uma enorme fila de espera, para marcar a consulta. Sem forças lá nos arrastamos para o fim da fila. Em pé naquele fila que parece que parou de andar logo que ali entrámos, olhamos em nossa volta. Vemos montes de gente doente, umas sentadas outras de pé, outras ainda de um lado para o outro. Umas de cara inchada outras de braço ao peito, umas amarelas outras vermalhas. Pensamos:

– Mais parece que tou num campo de guerra e acabou de se dar uma batalha e pelo aspecto desta gente devemos de tar do lado da equipa que perdeu.

Nestas alturas há sempre dois tipos de personagens entre outros que se destacam e nos acompanham, desde que entramos até ao fim da fila. Parecem estar em todas as filas de espera dos médicos.
Uma delas é a Dona Gertrudes da orta. que fala pelos cotovelos, durante toda a sua estadia na fila. Dona Gertrudes vem sempre do interior, de uma terrinha que nunca niguem ouviu falar. Como fala com uma pessoa que conheceu agora, julga que tem que contar toda a sua vida. Para alem disso, parece que o seu cerebro trabalha com leitura aleatória. Não parado de saltar de tema de conversa, que niguem consegue seguir:

– A irmã é que a matou … Hoje tá frio, quem diria … O meu filho é que tinha razão …

A outra personagem é a que inspira e expira de uma forma muito prenunciada… em forma de tosse.
(Inspira e … tosse tosse tosse, inspira e … tosse tosse tosse).
Estas duas personagem formam uma equipa de guarda costas, designada para nos proteger. Ficando uma á frente e a outra a trás de nós, estratégicamente, porque têm a situação sobre controle e bem estudada.
A Dona Gertrudes fica á frente e a fábrica cuspidora de bolas de saliva, atrás. Entretanto damos por nós a pensar:
Devem de estar a oferecer qualquer coisa lá á frente, para estar aqui tanta gente em pé á espera. É então mais ou menos por esta altura que o espetaculo começa…
Aos poucos começamos a tomar nota das barbaridades e conversas sem nexo, que saiem a uma velocidade estonteante de Dona Gertrudes da orta.
No mundo do nosso cerebro estamos assim:
Se ela se vira para mim to lixado… tenho que estar o resto da hora que falta para chegar lá á frente a gramar aqui com a conta-rotações.
E é claro que quando pensamos que não gostariamos que algo acontece-se que ela acontece.
Em camêra lenta vemos Dona Gertrudes a virar-se para nós…

– Não … não … não … ahhh … matem-me.

Então começa a pobre da Gertrudes com a sua conversa aleatória.Nós numa tentativa para escapar á turtura, fingimos que não reparamos que estava a falar com a gente. Olhamos para o relógio, abrimos a carteira á procura de qualquer coisa, olhamos para trás a fingir que procuramos alguem lá atrás. É então que o 2º personagem toma controle da situação.
Levemente inspira o ar que ali paira e … tosse … tosse …expira o ar saturado de humidade que se nos condensa na cara pulvilhada com todos os seus micróbios. Inspira e uma nova bola de saliva vem em nosso ataque. Com a situação insuportável decidimos que é melhor voltarmos outra vez para a frente. Entretanto rezamos para que Dona Gertrudes ainda não esteja a falar com a gente…
Não, sem sorte, vemos que ela mesmo assim falando sozinha, continua com as suas maravilhosas conversas saltitonas.
Finalmente meia hora passa e encontramo-nos no guichet (guichet, tou a falar bem não tou?).
Por detrás do vidro, uma cabeça lá em baixo quase invisivel, está atrás de um computador, parece falar com a gente. Ao inserir os nossos dados no computador, sem dar por isso engana-se carregando numa tecla que chama uma rotina onde nunca antes teve. Em pánico com a nova visão desorienta-se, pois nunca antes esta pessoa tinha visto mais nada no pc do que a janela onde inseria os nomes dos pacientes. Então sem saber o que fazer, dá a resposta típica destas pessoas, aquando nestas situações:

– Tem que esperar um bocado, porque o computador ficou sem sistema.

Então esta pessoa espera um bocado, na esperança que com o tempo o computador milagrosamente fique novamente “com sistema”. Agarrando em uma folha de papel, lá pede os nossos dados uma outra vez. Pelo intercomunicador que não funciona aos berros damos os dados.

– Pode esperar na sala de espera á direita.

Lá esperamos, tanto até chegar ao ponto que não sabemos o que lá estamos a fazer. Finalmente lá ouvimos um som pelo intercomunicador que se assemalha ao nosso nome e lá vamos ver o Sr. Dr.
Tipicamente todas as conversas de médico começam com:

– Então o que o tráz por cá?

– Dah! Doença, não é? Se não, não vinha ao MÈDICO e ter que aturar Gertrudes, Máquinas cuspidoras de saliva e Eng. informáticos, não é?

Era o que nos apetecia dizer…
Como não aprenderam medicina no tempo em que andavam á escola e não o que fazer. Poêm-se a ver se servimos de antena e encostam uns auscultadores a nós. Como não apanham nada vão mudando de sitio até apanhar uma emissão melhor. Se não conseguirem apanhar sinal. Se não conseguirem apanhar sinal, decidem ver se há algo obstruir o canal. Então peguam em um bocado de pau e olham pela nossa garganta abaixo, a ver se engolimos alguma coisa que esteja a obstruir o sinal.
No fim da consulta lá escrevem uma coisa qualquer, que combinou com um laboratório farmaceutico e dizem:

– As melhoras.

Eles tão, tão confiantes com o trabalho que fizeram que até nos desejam as melhoras ao inves do “agora vai ficar bem”.
Entramos na farmácia com o papelinho que o médico nos deu, dizemos boa tarde para não sermos umas pessoas mal criadas e que queremo haviar o medicamento.
Eles olham para o papel e como não conseguem ler a letra (quem consegue?) saiem do balcão e vão para uma sala á parte e passado um bocado voltam.

(O que aconteceu ali?)
Eles entram na sala para perguntar aos colegas:

– Epá, consegues ler isto? – Népias, men. – Eu vou ver se consigo descobrir mais…

Ao chegar ao pé da gente perguntam:

– Quer isto em cápsulas ou rémedio?

Na esperança que nós lhe demos mais pistas para descobrir o mistério do papel ilegível.
Mas como nós já sabemos os que eles fazem dizemos:

– Tanto faz, o que o sr. achar melhor.

Hehe que mauzinhos que somos :)
E lá vão eles para a sala outra vez.

– Então, tiveste sorte? – Na, aquele borrego tambem não faz a minima.

A próxima jogada que eles fazem aseguir é fechar os olhos e tirar uma caixa á sorte.

(Como é que eu sei isto?)
Pelo que eles dizem aseguir.

– Quando este acabar venha cá para haviar outra dosse.

E quando nós lá vamos, perguntam.

– Então deu-se bem com esse?

Se respondermos que sim haviam o mesmo, se respondermos que não, o jogo começa outra vez, até acertarem.

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Um ser de outro mundo
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